domingo, 1 de janeiro de 2012

Querido Papai do Céu

Hoje, depois de tantos e tantos anos escrevendo pra pedir, venho escrever pra agradecer. Agradecer por todos os presentes de toda a minha vida: desde a familia que ganhei, até as dificuldades que enfrento por trilhar outros caminhos.

Hoje eu vim agradecer. Agradecer por cada uma das pessoas que foram colocadas em minha vida durante toda a caminhada: em algumas eu percebo o significado mais claro que em outras, mas em todas eu vejo um pouco de mim, do que fui, ou do que aprendi a ser depois. Agradecer pelos mais velhos, pelos mais novos, pelos gemeos de mesma data e personalidade oposta, pelos gemeos-gemeos mesmo, nascidos de pais diferentes, ou em alguns momentos, dos mesmos pais.

Vim agradecer, Papai do Céu, por mais um presente: 2011. Que foi um ano de luta, superação, mas nunca de desistência ou entrega. Eu acredito no presente. É ele quem torna tudo real. Obrigada, Papai do Céu, por se apresentar a mim e minha familia e nos mostrar que a maldade existe, mas que não precisamos dela: a bondade faz um efeito muito maior. Obrigada por conhecer gente diferente e conseguir saber exatamente o que NÃO me tornar, e ao mesmo tempo, não faltarem exemplos de pessoas em seus pedacinhos perfeitos, que servem de inspiração e objetivo pra mim.

Obrigada, Papai do Céu pela presença em minha vida, pela paciência com minha teimosia, e pelo perdão que sempre vem sem que eu mereça.

Pra 2012, eu só espero que mais pessoas se deem conta de que o bem vale a pena, afinal. De que o amor não é irreal e de que ter esperanças é ter combustivel pra lutar pela justiça que nem sempre se faz. Obrigada e que venha 2012.

Amém.

domingo, 18 de dezembro de 2011

De tudo que eu deixei de fazer

Me dei conta de que nunca mais ouvi Led Zeppelin com outra pessoa. Simplesmente não dá. Led Zeppelin era dele, era de ele pra mim e vice-versa. Não dá pra ouvir "since I've been loving you", se eu não estou mais no "I've been loving" ele.

Também não canto mais aquela musica do Detonautas, aquela que dizia "você me faz tão bem", porque elegi essa musica pra um outro alguém que me fez mal demais.

Hoje não verbalizo algumas promessas de amor como antes fiz, porque sei que elas podem não se concretizar. Sei que podem ferir ou podem magoar a mim mesma depois do final. Não que eu pense no final, mas não pensar nele não quer dizer que ele não possa estar aí em algum lugar, escondido, esperando o momento ou a brecha pra se apresentar.

Não tenho rompantes de ciúme e tampouco paciência para tais. Aprendi que ciúme é falta de respeito, e se teve uma coisa que eu prometi a mim mesma foi que não me desrespeitaria de novo. Só eu sei como doeu...

Percebi que longos momentos de silêncio podem ser internamente tão barulhentos quanto um show de rock ao vivo. Não divido as brincadeiras de outrem,, evito trejeitos, apelidos carinhosos e até olhares que em dias outros, dediquei a outros amores.

Penso às vezes que eu não amo mais. Ou que amo ainda. Ou que nunca amei. Em outras tantas vezes, sei que amo sim, sei que sou feliz sim, e sei que novas músicas existem para novos amores. Ou mesmo pra amores velhos. Não da pra ficar com umas sem ter também a outras.

Não dá pra viver hoje, fingindo que não houve o ontem e que não houve amor ontem e que não houve sofrimento também.
A diferença é que hoje eu sei que tudo passa, e por saber disso, me dedico a cada momento com o máximo que posso de mim. Porque vai passar, mas o que eu vou levar na memória serão os momentos em que tive certeza estar fazendo tudo o que podia.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A mudança que queremos ver

Sou meio idealista. Digo meio, porque sou também meio preguiçosa e nesse fifty-fifty, não me mexo muito, mas acredito em algumas coisas e ajo pelo que acredito.

Acredito que devemos ser a mudança que queremos ver no mundo, mas esta é a hora da confissão: tem hora que cansa lutar sozinha, tem hora que desanima ver que só você é a mudança (e às vezes, nem você), cansa ver que ao invés de valorização humana, tudo o que você vê é a desvalorização. Não digo "inversão de valores", porque alguns deles nem deveriam existir como tais. Digo desvalorização mesmo. Desvalorização do respeito, do amor, da honestidade, do cuidado, do aprendizado, do trabalho honesto, desvalorização da vida. E isso cansa.

Cansa ver que as pessoas não estão conseguindo evoluir como a ciência e a tecnologia: parece um pouco com o paradoxo do queijo suíço: "quanto mais queijo, mais buracos, quanto mais queijo menos queijo". Fica assim: quanto mais conhecimento, menos conhecimento, menos sabedoria.

Cansa ver as pessoas justificando que "isso é Brasil", "isso é brasileiro", "isso é assim mesmo", e vê-las como gado, cometendo os mesmos erros, os mesmos crimes e os mesmos pecados, sendo sempre justificados pela natureza do "Brasil".

Cansa ver o descaso com a língua portuguesa. E eu aqui não estou falando do português arcaico não, estou falando de regras simples em ortografia e gramática.

Na verdade, o problema deve estar na palavra "regra". Por algum motivo, a ordem, por mínima que seja, deve ser ignorada. O problema é que "respeito", "amor", "solidariedade" e "honestidade" também foram regras um dia. E assim como as outras, caíram em desuso.

Sou a favor da liberdade, mas a favor daquela que deixa claro: a sua liberdade termina onde começa a minha. Sou contra fugir dos problemas. E sou completamente anti-comodismo. Mas hoje é o dia de admitir que "ser a mudança que eu quero ver" às vezes cansa. Muito.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

rascunhos

Senti hoje de você, saudade. Talvez umas duas ou três dessas que puxam o pensamento pra um caminho de lembranças e suposições, ou aquele caminho de devaneio e imaginação, construir diálogos, inventar sensações, roteirizar. Criar a trama, fazer os personagens, montar o cenário, escolher a trilha sonora e não saber nada sobre o final.

A saudade que senti de você veio misturada a saudades de algo que nem sequer aconteceu, veio uma saudade do futuro que poderíamos ter tido, veio uma saudade do passado ignobil que tivemos sem estar juntos. Foi uma saudade daquelas saudades bestas, como todas as saudades no final o são.

Senti um desejo e uma ansiedade de te ver e estar com você e caber no teu abraço grande, quebrado, apertado e que me cabe tão bem, eu acho. Nunca te dei um abraço. Quando pude, temi que o abraço revelasse tudo aquilo de saudade que senti do futuro, e me colocasse naquele medo de tudo aquilo que pode dar errado, e dará. A gente sabe.

Mas com saudade é assim mesmo: não há medo, nem racionalidade que a levem embora e que nos deixem em paz, livre desses sonhos e devaneios e criações simplistas e complexas que são um dia nublado com você ao meu lado, uma festa boba, um carteado com chuva e vinho barato. É, hoje eu senti saudades de você.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Miraculosidades

Eu não sei se a palavra existe. E confesso que meu interesse nisto é bem pequeno hoje.
Tem um dia longo pela frente dentro do escritório, tem um dia lindo la fora, no mundo. Tem um milhão de possibilidades e algumas frustrações. Tem uma confusão de sentimentos: saudades, dúvidas, angústias, satisfações, esperanças e felicidades.
Acontece uma revolução, acontece um velório, acontece um primeiro voo, acontece uma inauguração, acontece uma demolição.
Perdem-se dentes, histórias, amigos, sonhos e lutas. Alguém ganha tudo isso ao mesmo tempo.
O mundo gira, um asteroide passeia, uma estrela morre, uma supernova surge.
Alguém compoe uma musica,alguem trabalha um texto, alguem só trabalha enquanto alguém chora.

E voce aí, sem saber por onde começar enquanto o mundo não para de girar e a vida não para de acontecer. Só pode mesmo ser uma porção de milagres.

(dos rascunhos)

sábado, 9 de julho de 2011

Eu não minto. Eu não sou assim

Meses depois da ultima postagem, a vontade de escrever voltou. Não sei por quais motivos e nem por quanto tempo, mas resolvi aproveitar.

O titulo do post vem de uma musica do legião urbana, 1º de Julho. Sempre me identifiquei com a letra porque eu sou de guerras abertas. Não sei atacar pelas costas, ser feliz pela metade, viver de meias verdades. Sou inteira.

Por mais que o tempo e a conveniencia tenham me ensinado a ter filtro, eu não tenho muitas máscaras e as poucas q tenho geralmente são mal utilizadas. Não consigo fingir satisfação, não consigo fingir nao ver injustiças e nao consigo também, digerir sozinha nada daquilo que eu ache que deva compartilhar, quer seja uma briga, quer seja uma declaração de amor.

A minha cara me entrega, e nao adianta falar ao telefone porque a minha voz me entrega também. E ainda que seja por mensagens instantaneas ou SMS, as letras me denunciam, os pontos me traduzem, fica tudo transparente demais em mim.

Não minto não porque seja correta (o que de fato tento ser na maior parte do tempo, pelo menos). Não minto porque nao consigo antes mentir pra mim, e quando nao convenço nem a mim mesma, a tentativa de convencer aos outros é furada. Aí eu poupo energia, abro o peito, fecho os olhos e me preparo pro que é que possa vir.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Todos os "nãos" da vida


Ninguém sabe qual é o verdadeiro sentido de estar por aqui, vagando no planeta sem hora certa pra ceder lugar a outro. Enquanto vivemos, aprendemos que as coisas, as situações e as pessoas não são (às vezes nem de longe) o que gostaríamos que elas fossem. Você vê tanto potencial desperdiçado em alguém que não vê potencial algum em si mesmo, e por aí vai.
Você deseja com força que as pessoas sejam diferentes, que as coisas aconteçam de forma diferente e na maioria das vezes, você só recebe um "não", não como resposta, porque a vida não se dá ao trabalho nem de se justificar. As coisas simplesmente não acontecem e pronto. É alguém gritando e cuspindo na sua cara: acostume-se com isso!
Conforme o tempo passa, você olha pra trás e vê o acúmulo de nãos que está ali, acenando com indiferença pra você. Poderia ter tido outro final? Só se a vida quisesse que fosse. É tudo uma grande encruzilhada que se ramifica: a cada sim ou não que a vida te dá, você toma um caminho diferente do que poderia ter tomado, e se mesmo assim, as coisas estariam exatamente do jeito que estão hoje, não da pra saber.
O emprego que você não conseguiu, o amor que você não esqueceu, o encontro ao qual você faltou, a ligação que você não retornou. Cada uma das situações poderia te levar a um lugar diferente do que você está hoje.
Mas não importa, porque não da pra voltar lá. Da pra seguir entendendo que o "não" da vida foi a única escolha, e que ainda existem muitos "nãos" por aí. E por mais que você fuja, vai encontrá-los mais cedo ou mais tarde. Fazer o quê, se é pra frente que a vida anda?